Aqui estou eu, vivendo como kiwi.
Não consegui pensar em uma boa introdução para este post
então irei direto ao assunto: aprendi que é possível gostar de fazer algumas
coisas se elas são realizadas de melhores maneiras. Por exemplo: aprendi que
arrumar a cama pode não ser tão trabalhoso e exaustivo quando só se tem um
tecido para arrumar. Lavar a louça pode não ser tão ruim quando se torna um
momento em família, onde conversamos e damos muitas risadas (com direito a
perseguições que podem variar: Judith atrás de Alina, Alina atrás de mim ou eu
correndo atrás dela). Voltar para casa a pé também pode se tornar mais
divertido quando usamos os 40 minutos de caminhada para usufruir da companhia
de alguém querido. Também é muito mais gratificante saber que ao andar na rua
não encontrarei comentários muito desagradáveis vindos dos motoristas. Aqui,
posso andar de saia sem temer ouvir algo que não queira, o que definitivamente
não acontece quando estou no Brasil. Esse fato me dá segurança e mais amor por
estas ilhas.
Também estou vivendo a péssima noção que os kiwis têm sobre o
Brasil. Muitos ficaram surpresos por eu ser uma brasileira tão branquela, me
confundindo várias vezes como uma alemã. Outros, em plena aula de Geografia
(uma brasileira me contou), perguntaram se o Brasil fica na Europa. Quando
receberam a resposta queriam saber agora se falamos “brasileiro” e logo em
seguida perguntaram se Portugal fica no Brasil porque não fazia o menor sentido
dois países distintos falarem a mesma língua. Porque só kiwis falam inglês.
Esses dias, comecei a fazer uma lista de coisas que todo (ou
a maioria) intercambista acaba passando por (acho que esse “por”, no lugar que
o coloquei, acaba soando como se eu estivesse falando inglês. Infelizmente não
me vem à cabeça outra maneira de usar tal palavra então manterei meu português
iglesado), mais cedo ou mais tarde. Aqui vão os itens que tenho por enquanto:
·
Desapego- aprenda a se desapegar do que
deixou para trás (família, amigos, objetos, animais) e ame o que está por vir e
o que está acontecendo agora;
·
Rir sem motivo- se você for a um país que não fala
sua língua nativa, acredite, haverá momentos em que todos começarão a rir
loucamente quando você simplesmente não entendeu o motivo e não quer ser a
única pessoa da roda que não está gargalhando;
·
Concordar com algo sem saber o que foi dito- você já
pediu uma vez para repetirem algo, continua sem entender bulhufas e está com
vergonha de pedir para repetirem de novo;
Gostaria de fazer um P.S. agora. Por tanto, P.S.: Um ciclone
tropical está vindo em direção à Nova Zelândia e deverá chegar no fim de semana
(hoje é quarta). Por tanto, se eu morrer, quero que todos saibam que eu sei que
vocês sentirão muito a minha falta. Mas não se preocupem: podem deixar que irei
puxar o pé de vocês à noite.
Agora um momento romântico, meloso e cândido, por tanto, se
você não gosta desse tipo de coisa, pode mudar de página. Mas eu sei que a
pessoa a quem esse momento é destinado continuará a ler.
Queria muito agradecer uma pessoa muito especial que mais do
que ninguém me ajudou a tornar este intercâmbio possível: meu papai. Agora
falarei diretamente com ele, mas sinta-se à vontade para usufruir deste
sentimento.
Papai, acho que nunca serei capaz de te agradecer devidamente
por tudo o que você fez por mim. Durante todos os meus 18 anos, você sempre
teve uma participação muito especial em me ajudar a tornar meus sonhos em
realidade. Você sempre acreditou neles e sempre me guiou à direção certa, mesmo
quando eu estava relutante. Você sempre me ajudou a acreditar em mim mesma, a
procurar os melhores caminhos e a seguir o que me faz sentido. Você vem me
ajudando a chegar a mim mesma.
Sou imensamente grata
por tudo o que você pôde me proporcionar e nunca esquecerei nenhuma dessas oportunidades;
sejam elas as de ouvir bons conselhos, enxugar lágrimas, dar risadas, pegar
estrada, bater altos papos sobre tudo o que quisermos, usufruir da companhia do
outro e acima de tudo, reforçar esse laço entre pai e filha tão importante e
especial que nós temos.
Queria te tornar o pai mais feliz do mundo, pois você vem me
fazendo a filha mais feliz que existe. Sempre lhe serei grata por absolutamente
tudo e só lamento nunca conseguir te retribuir com algo à altura, mas
continuarei tentando.
Papis, mais do que nunca, estou com saudades.

Loirinha,
ResponderExcluirAssim não vale. Eu estava tranquilo aqui, esperando um voo no aeroporto de Congonhas. Feliz por conseguir ler, com calma, o seu blog. Você havia me dito que tinha publicado algo, mas não disse nada sobre o que era esse algo. Com uma pera na mão eu fui descendo por seu blog, me deliciando com seus aprendizados, com seu humor e com a forma linda como nos brinda com tudo isso. Quando de repente veio a parte “melosa”. Me pegou de surpresa. Simplesmente não consegui mais engolir o pedaço de pera que tinha na boca. Meus olhos inundaram embaçando tudo. E pude aproveitar de uma das boas coisas de se aproximar dos 50 anos, que é não estar nem aí para o que os outros vão pensar, deixando as lágrimas rolarem em profusão. Aposto que se alguém reparar no grandão se esvaindo em lágrimas, nunca imaginará que elas são da maior alegria do mundo. Alegria que não cabe no coração, alegria que faz o dito cujo acelerar e sai correndo como lágrimas. Que bom que elas existem! Hoje vou dormir feliz, com o coração em profunda harmonia e paz. Amanhã, quando por ventura, vier a me sentir desafortunado, terei este pequeno tesouro, que você me deu, para me socorrer. Será o meu elixir secreto. Se alguém me vir, assim do nada, abrir um sorriso iluminado, pode ter certeza que foi meu coração que se lembrou de você.
Com muito amor, do seu paps Dani
ps Loirinha, eu sei que matemática não é a sua paixão. Mas preciso lhe falar de um reparo na sua aritmética. Preste bem atenção. Saldo de uma dívida é o resultado de uma subtração. Pegue o que foi emprestado, retire o que já foi pago, isso dá o saldo da dívida. Por exemplo: você pegou emprestado 10, devolveu 3, ainda deve 7. No seu blog você lamenta não conseguir me retribuir a altura. Tá vendo, o erro de matemática. Você já me deu muito, muito, muito mais do que imagino ter lhe dado. Assim, não há dívida alguma, ok? Te amo.