segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Detalhes (25/02)

Decidi que a postagem de hoje será diferente. Não vou falar de um evento único, mas sim de um dia inteiro visto sob os meus olhos. Quem sabe assim você não se sente um pouco mais perto de mim?

Todos os dias meu celular toca às 7h40 Monomania, da Clarice Falcão. Todos os dias, sabe-se lá porque, eu acordo um pouco antes.
A primeira coisa a ser feita é me trocar e descer para o café da manhã. No corredor para a escada, rotineiramente sinto cheiro de xampu, pois a Alina só toma banho de manhã. Ela também sempre já está à mesa quando chego e come o mesmo que eu: sucrilhos sem açúcar com leite. Neste período, Judith gosta de deixar a TV ligada e, geralmente, no canal onde podemos ver as olimpíadas de inverno.
Em seguida, subo novamente para terminar de me arrumar: creme no cabelo, protetor solar, pulseiras, anéis e brincos.
Desço para ir embora. No térreo, às 8h20, surge Danielle, que sempre vai à escola conosco. Pego minha lancheira já preenchida por Judith e partimos. Geralmente, sou eu quem fecha o portão da garagem, que é automático e deve ser acionado (aberto ou fechado) de dentro da casa, ou seja: a pessoa que for executar tal tarefa, quando saindo da casa, deve sair correndo e passar por baixo do portão antes que ele feche, te trancando. Para mim, é muita emoção logo cedo.
Judith deixa nós três não na frente da escola, um pouco abaixo. Por chegarmos mais cedo, posso ficar na internet do celular e conversar com brasileiros, já que o horário é propício.
Às 8h35 começa a Form Class. Já comentei o que acontece nela mas nunca como acontece. As mesas são grandes e quadradas, permitindo que mais ou menos dez alunos se sentem em suas laterais. Mas os alunos dessa aula só ocupam duas dessas mesas e a distribuição é mais ou menos assim: em uma estão reunidas todas as garotas kiwis e em outra todos os garotos e a Tchó. Pra quem não sabe, Tchó sou eu. Desde a minha primeira aula naquele ambiente me sento com os garotos. Não porquê quero fazer amizade com eles ou me cansei do sexo feminino; e sim porque as garotas que ocupam a outra mesa me assustam. Não me entenda mal! Elas não fazem caretas para mim, não são grosseiras e realmente não parecem ser más pessoas, mas elas realmente conseguem me manter à distância. E sabe por quê? Porque elas se vestem de modo a parecer que estão esperando ser abordadas de surpresa (só que não tão surpresa assim) por um grupo de paparazzi para, logo em seguida, serem declaradas a mais recente descoberta do mundo das modelos. Se você ainda não entendeu, tentarei ser mais explícita: elas devem no mínimo acordar às 05h00 para conseguirem chegar na escola arrumadas daquele jeito. Tá, não fui muito mais clara, mas acho que deu para entender. E é por isso que eu sento com os garotos, pois eles se vestem normalmente e não parecem tão assustadores.
Depois começam as aulas de verdade. Por exemplo, hoje eu tive aula de Artes em seguida e devo dizer que esta foi a aula mais chata que aquele professor já me deu. Acho que isso se deve ao fato de que ele estava explicando coisas sobre avaliações e trabalhos e notas e blá. Coisas que não interessam a inquilina aqui. Tirando o fato de que ele falava tão rápido que em vários momentos eu não fazia ideia do que fora dito.
Minha próxima aula hoje foi Outdoor Education. Eu troquei Teatro por ela. As pessoas já tinham começado a ensaiar a peça e a professora, que tinha pedido que eu esperasse esse momento, não me deu papel nenhum! Como ser uma árvore estava fora de cogitação, decidi mudar de matéria. Mas não quero falar sobre Outdoor Education agora, quero falar da minha aula de Hospitality.
Essas aulas, quando teóricas, conseguem ser bem entediantes e mentirosas, pois não mostram nem o dedinho do que é a vida dentro daquela cozinha. Hoje, por exemplo, a aula foi prática, o que a meu ver significa muitas coisas: Guerra; Do or Die, Salve-se quem puder, Só os melhores adaptados sobreviverão, O que diabos estou fazendo aqui?, e por aí vai. Hoje não foi exceção.
Um canadense que estava morando no Brasil há alguns anos, Thomas, pediu para ser minha dupla. Até aí tudo bem, pelo menos eu podia falar português e ser entendida. A professora nem tinha terminado de dar algumas instruções e começou. Começou o quê?, você me pergunta. E eu respondo: uma manada de elefantes e rinocerontes entra em disparada, a selva (cozinha) ganha vida e caos. O fuzuê tem início. São pessoas apressadas correndo de um lado para o outro, fazendo mil coisas que para mim nunca existiram e talvez nunca existirão. Olho para minha dupla, que ironicamente retribui o olhar, esperando que eu tenha todas as respostas. Só que não.
Passamos um bom tempo tentando decifrar a receita e mais tempo ainda tentando realiza-la. O que dizer sobre o que houve a seguir? Vejamos a situação por outro ângulo. Suponha que você está na sua aula de culinária, no seu país, falando a sua língua, lendo uma receita que também está na sua primeira língua, fazendo uma comidinha muito simples e fácil porque você vem frequentando esta aula desde que era criança, então tudo é muito conhecido e óbvio. Aí você está nessa pacata aula quando, de repente, algo inusitado acontece: um garoto e uma garota começam a discutir com o tom de voz elevado, em um idioma completamente desconhecido, para em seguida gargalharem em um volume igualmente alto. Foi isso o que aconteceu sob os olhos dos kiwis. O Thomas estava tão perdido quanto eu (se não mais) e várias vezes acabamos por divergir nas opiniões sobre o que deveria ser feito. Só que estávamos tão nervosos no meio daquela correria que começamos a nos exaltar e a morrer de rir. No final, fomos uns dos últimos a terminar a receita, que era panquecas doces (eu nem sabia o que estava fazendo quando começamos a cozinhar) e até que ficaram boas, embora a aparência tenha deixado a desejar.

 Podemos ter deixado uma impressão meio assustadora para todos os alunos naquela classe, mas eu pelo menos, me diverti muito naquela aula, onde vivi sentimentos tais como: ódio, pânico, alegria, incompetência e semelhança.  

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Caiacando pelo mundo! (16/02)

Hoje é domingo e fomos andar de caiaque!
Mas falemos primeiro sobre ontem.
No sábado o evento do dia foi um churrasco em um parque perto de casa. Nele, só foram os alunos internacionais e acredite, havia muitos deles lá.
Tem uma parte minha que ainda não se conformou por eu estar tentando sair da Betina brasileira. Foi essa parte que me fez chegar ao churrasco, sentar e conversar por uns dez, quinze minutos, se encher e querer voltar para casa. Porém, como sempre tem um porém, a Betina neozelandesa estava encarnada em outra pessoa: Alina. Nós fomos ao churrasco a pé e deveríamos fazer o mesmo na volta e juntas. Ela não parecia estar muito mais animada do que eu, mas não quis ir embora. Então fiquei.
O tempo foi passando e as coisas começaram a ficar interessantes. Estava conversando mais e me divertindo mais. Vi o vídeo de uma vaca parindo e não foi exatamente uma coisa bonita e mágica. Foi nojento! O bezerro estava virado ao contrário na barriga da mãe e iria matar ambos se não houvesse intervenção, que foi justamente o que eu vi: dois homens puxando as patas do bicho pra fora da vaca com tudo. É. Nojento.
Quando eu mais estava me divertindo, tivemos que ir embora, pois já estava muito escuro e Judith não queria que chegássemos depois das nove.
Agora vamos ao que (me) interessa: caiaques everywhere!
Já tinha combinado há um tempo com Trees e Danielle que iríamos andas de caiaque neste fim de semana. E foi o que aconteceu!
Acordei mais cedo que o necessário hoje, lá pelas oito. E por volta das onze, já estava na casa da Trees novamente, onde encontrei Danielle.
Empacotamos algumas coisas: almoço, protetor solar e garrafas d’água e partimos!
Utilizei o mesmo caiaque que a última vez, um verde, só que desta vez estava muito mais confiante e não comecei a berrar por socorro quando entrei na água.
Tínhamos como objetivo sair do rio e desaguarmos no mar, para tentar ver golfinhos.
No começo estava tudo certo, foi só ficarmos mais próximas do mar que as coisas começaram a piorar. Antes, não havia ondas ou vento que pudessem atrapalhar nossa jornada, mas agora, com a água salgada se juntando e tomando o lugar da doce (mesmo não estando no mar), começaram a vir à tona alguns obstáculos. Passamos a ter de enfrentar o vento e as ondas, que estavam contra nós.
Se você pensa que umas ondinhas e uma brisa caminhando para o lado oposto ao seu não fazem diferença de cima de um caiaque, vá aprender a navegar na mesma situação. Tudo ficou mais difícil! A cada braçada que dávamos andávamos menos, o barco pulava com as ondas e insistia em tentar virar. O remo começou a pesar em minhas mãos e cada movimento exigia mais força.
Logo meus braços já estavam pedindo arrego e ainda nada de mar. Trees apontou uma pequena ilha no horizonte e disse que pararíamos lá para almoçar. Meu queixo caiu. Naquele momento, a tal ilha era só um pontinho perdido na distância. Partiu morrer, pensei.
Às vezes, mesmo se estiver morrendo, mas se tiver enfiado uma coisa na minha cabeça de tal maneira, vou ignorar todo o resto e deixar minha teimosia reinar. Foi o que aconteceu: fingi que a dor em meus braços não estava lá e comecei a remar incessantemente.
De remada em remada, respiração por respiração, onda por onda, finalmente cheguei à benedita ilha, e fui a primeira! Rá! A novata aqui não é pouca coisa, não!
E meus braços nem estavam doendo tanto!
A primeira coisa que fizemos foi dar uma volta na ilha a pé. Foi rapidinho e ela era linda. Cheia de conchas no chão e algas na praia. Água transparente e fresquinha, além de ser arborizada. Tínhamos descoberto um pequeno paraíso!
Dada a volta, almoçamos. Trouxe um wrap que eu mesma fiz, por isso que nele só tinha queijo, alface e sal. Terminado, deitei nas pedras e tomei um pouco de sol. Esse momento foi mágico.
Ali, deitada sob o Sol, fechei meus olhos. Pude ouvir as ondas quebrando na areia, as gaivotas cantando no céu e a mim mesma. Percebi ali o quanto estava feliz. Sentia uma energia enorme entrando e saindo de mim, parecia estar levando embora todos meus problemas, tristezas e agonias. Achei que poderia ficar lá para sempre. Lá, me senti em paz. Havia paz me invadindo e paz ao meu redor. Estava leve, quase flutuando; em estado meditativo. Me senti eterna, me senti feliz, me senti em paz.
Achei que a volta para a casa da Trees seria mais fácil, pois estaríamos a favor do vento e das ondas, mas não foi bem assim. Naquela situação, o meu caiaque acabava se entortando toda hora, não consegui mantê-lo no sentido certo e meus braços estavam doendo mais.
Em vários momentos tive certeza de que não estava saindo do lugar não importa o quanto remasse. Aquilo me deixou agoniada e eu quase saltei para fora do caiaque para puxá-lo, o que certamente seria mais fácil.
Horas mais tarde (sim, horas. Na ida demoramos uma hora para chegar à ilha, na volta foram bem mais) finalmente alcançamos a água doce, sem vento e sem ondas para atrapalhar a nossa vida.
Para encerrar bem o dia, caímos na piscina, onde relaxamos por um bom tempo.
Agora são oito e meia da noite e meus braços começaram a dar indícios de que amanhã eles não farão nada mais do que ficar pendurados e doendo. Pelamordedeus, tá começando a doer demais!
Apesar da dor que me virá, tenho certeza de que nunca vou me arrepender de ter mostrado a mim mesma que minha convicção (e teimosia) vai além da minha força e pode me trazer a lugares maravilhosos e a aventuras inesquecíveis.
O ser com a camisa na cabeça sou eu. Comecávamos a nossa jornada.
Dando a volta na ilha.
Trees, Danielle, eu.
Betina feliz.
Somos sereias.
Eu e Danielle.
Euu

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Cavalos, finalmente! - parte II

Continuando...
Finalmente pudemos selar nossos cavalos. Adivinha? Tivemos que esperar mais um tempão por sabe-se lá o que.
Já em cima dos animais, fomos em direção à parte mais divertida do dia: o cross! O campo de cross deles é imenso! Nem sei quando termina. São colinas e colinas que não acabam mais, todas verdejantes e com vários obstáculos.
Para a minha alegria, pudemos dar uns pulinhos. Lily saltou muito bem, embora pude sentir ela tentando se esquivar de um obstáculo embaixo de mim. Ela é bem rapidinha!
Também tivemos a chance de entrar em um lago com os cavalos! Um lago tão fundo que tínhamos que erguer nossas pernas a cima do pescoço dos cavalos para não nos molharmos, foi o máximo! Os cavalos entraram tão de boa na água, quero só ver o dia em que o Chocolate vai fazer alguma coisa assim.
Na volta às cocheiras, pudemos fazer algo que eu amo: sair galopando pelas colinas! Foi maravilhoso. Amo sentir a liberdade acariciando meu rosto e a explosão de energia que é o cavalo embaixo de mim. São nesses momentos que as batidas do meu coração passam a ter o mesmo ritmo que o galope que me faz voar. É mágico.
Infelizmente, assim que voltamos tivemos que ir embora, pois o ônibus já estava a nossa espera.
Gostei muito do dia, foi muito bom poder matar a saudades desse mundo que tanto amo. Porém, a impressão que tive é de que lá teremos mais diversão do que treino, o que é bom, mas não é o que eu nem o que as outras meninas querem, queremos melhorar! A atleta dentro de mim não tira férias. Mas ainda está muito cedo para tomar qualquer atitude, então voltarei lá mais umas duas, três vezes e ver como as coisas estarão.

Mas não há nada, nada nesse mundo que se compare ao sentimento que nasce em mim quando estou em cima de um cavalo.
O campo de cross é gigante!
Analisando o salto...
E pulamos!



Cavalos, finalmente! (14/02)

Hoje pulei da cama como há muito não fazia. Estava sorrindo, cantando e galopando e trotando de um lado para o outro da casa.
Basicamente engoli de uma só fez meu café da manhã e mal podia esperar para ir para a escola.
Hoje, e em todas as sextas feiras que virão, não tive a Form Class: fui direto para a sala internacional onde estavam reunidos todos os alunos internacionais, não só os que entraram este ano. Aquilo funcionou como uma Form Class, na verdade, pois deram notícias, avisos e todo o resto. Eu não conseguia me conter em mim mesma! Estava explodindo de ansiedade por dentro e queria ir logo ao que interessa: cavalos, cavalos, cavalos e mais cavalos.
Depois do que pareceu a eternidade, mas que durou só meia hora, finalmente colocaram todos os alunos que fariam equitação e sailing (não sei falar isso em português, mas suponho que deve ser algo tipo navegação) em um ônibus e partimos.
As amazonas de plantão foram deixadas primeiros. Havia cinco de nós: Trees, Julia, Momo, Alena (não é a minha host-sister, essa é outra alemã) e eu. Todas, exceto Momo têm prática na equitação, o que me deixou bem aliviada.
O que houve a seguir foi meio desesperador: fomos recebidas depois de um tempo por Kate, a dona do local, até aí tudo bem. As meninas trocaram de roupas (eu fiz questão de já chegar lá toda equipada) e TA-DÁ! Ficamos esperando alguma coisa acontecer durante um tempão! Demorou muito até que aparecessem com cavalos. Resolvi tentar ajudá-los a selar para agilizar as coisas, mas não deu muito certo: ou eles não confiaram em mim quando disse que sabia selar ou não queriam ajuda de uma menina intrometida metida à amazona.
Passou-se um tempo e os animais estavam selados. PORÉM, como sempre tem um porém, adivinha o que estava faltando? Cabeçadas! Pra quem não sabe, cabeçada é aqui que vai na cabeça (dã) do cavalo, é cheia de tirinhas de couro com vários ajustes pro animal e, muito importante: segura o bridão (o negócio que fica na boca do cavalo e, entre outras coisas, funciona como freio). Eu e as outras garotas hesitamos (menos Momo). Mas fazer o quê... seguimos em frente.
Mesmo com os animais devidamente (ou quase) selados, tivemos que esperar por sabe-se lá o que para montar. Uhul. Ah, eles não usam ferradura e não moram em baias, ficam soltos em gigantescas campinas.
Quando finalmente Kate ressurgiu das cinzas, ela quis ter uma ideia das nossas experiências e tals. Indaguei que fim levou o formulário que preenchemos na escola onde dizíamos exatamente o que ela nos perguntava.
Depois do interrogatório, fomos apresentadas aos cavalos que montaríamos. A mim, fora designada Lily. Para ser bem sincera, como venho sendo durante este post, todos aqueles cavalos passavam um ar de pengarés de hotel fazenda, sabe? Nem escovados eles foram, suas crinas estavam compridíssimas e embaraçadas e seus cascos precisando de cuidados. Mas eles pareciam saudáveis, pois como todo bom cavalo de hotel fazenda, eles estavam gordos.
Mesmo depois de apresentadas aos cavalos, não pudemos montar, pois faríamos some ground work (como você pode perceber, estou ficando com preguiça de traduzir algumas coisas. Se você não entendê-las, duas palavras: Google it!). E eu realmente gostei do que fizemos!
Levamos nossos cavalos para uma área aberta e tínhamos a seguinte tarefa: apoiando uma mão no meio do focinho e a outra atrás da orelha e, com movimentos de pressão e alívio gentis, devíamos fazer com que os animais abaixassem a cabeça. Kate explicou: quando os cavalos ficam com a cabeça erguida, nos mostram que não estão sossegados, que estão alerta à espera da próxima coisa que vai tentar devorá-los (palavras dela). Por tanto, ao abaixarem a cabeça, estarão mais relaxados e à vontade.
Como eu sou um ímã que só atrai cavalos de personalidade forte, Lily mostrou alguma resistência no início e parecia preferir fazer o oposto. Demorou um pouco, mas eu finalmente consegui abaixar a cabeça dela com movimentos gentis e um pouco de força, devo admitir. Achei mágico.
Depois disso, devíamos usar a corda do cabresto (que está no lugar da cabeçada e é simplesmente uma corda amarrada de tal jeito que pode funcionar como uma cabeçada, mas sem rédeas e bridão) para fazer os animais se afastarem de nós e então se aproximarem. Comecei a chacoalhar a corda e adivinha: Lily chegou mais perto de mim! Usei então as técnicas que às vezes tenho que usar com o Chocolate: comecei a pular e espernear na frente da égua. E não é que deu certo? Ela recuou! Para fazê-la voltar foi rapidinho.
Estou com preguiça de comentar os outros trabalhos que fizemos do chão, mas foram todos desse tipo. Horsemanship nas veias!
Quando finalmente pudemos montar PUF! Kate desapareceu e ficamos a ver navios. Só que desta vez, de cima de cavalos. Foram em momentos como este que senti falta do estilo pauliano de dar aulas (pra quem não sabe, Paula é o nome da minha querida e amada professora de hipismo).
Ficamos paradas embaixo do sol escaldante durante um tempão, até que ela apareceu de novo. Assim, fomos todas para um redondel, onde treinamos fazer umas curvas especiais (cujos nomes esqueci) e a fazer altos (parar o cavalo) quadradinhos, que é o que queremos em uma prova de adestramento.
E acabou! Já era sabe-se lá que horas e tínhamos que soltar os cavalos e almoçar. Tentei convencer Kate, com o apoio das meninas, que não precisamos de almoço, mas ela não se deixou levar.
Tiramos o material dos animais e soltamos eles no pasto de cabresto. O almoço durou um tempo exageradamente grande e todas queríamos voltar para cima dos cavalos. Mas não nos deixaram fazer isso, tivemos que esperar por uma hora. Enquanto isso, fomos ver uns potrinhos lindos que estavam por ali.

Acho que para um post este aqui já está grande o suficiente. Mais tarde escrevo a segunda parte do meu dia e posto mais fotos! Se você leu até aqui agradeço muito, de verdade, afinal foram 1010 palavras escritas.
Recepção
Da direita pra esquerda: Trees, Júlia, Eu, Alena e Momo
Sou linda
Lily and I
No rendondel  (repare no cabresto)
Tchauzinho




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Freud está em mim (13/02)

 Freud diz, basicamente, que tudo (ou quase tudo) o que fazemos está relacionado com o nosso inconsciente, tipo alguns atos e sonhos, principalmente.
Hoje lá estava eu, toda saltitante e serelepe na aula de Artes, quando me pego olhando para o meu penúltimo trabalho feito, a colagem (lembra-se dela?). Não sei direito como foi que começou, mas me questionei porque, com todos os meus neurônios funcionando, obtive aquilo como resultado. Não estava criticando meu trabalho, só me perguntando o porquê de sua forma ter vindo à minha mente.
Comecei a descrever mentalmente o que via... Uma idosa olhando com ares de estranhamento para um universo de coisas medonhas, esquisitas e sem nexo, todas elas coloridas, ao contrário da senhora. Estaria ela dentro desse universo, tentando viver nesta confusão? Foi quando percebi: aquela poderia ser uma representação de mim mesma! Afinal, estou em um lugar onde tudo é novo e estranho a mim, às vezes parece que nada faz sentido e que é horrível, mas tem sua beleza.
É claro que eu posso estar muito errada em relação a essa interpretação, mas quem sabe? Juro que me identifiquei muito quando fiz a ligação. Ou pode ter sido pura sorte e em um universo paralelo em colei um cavalo azul correndo em um arco-íris.
Não dá para encerrar este post sem ao menos mandar uma foto do tal trabalho, então aqui vai ela (resolvi colocá-la no final para dar um suspense):



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um dia depois do outro

SEGUNDA-FEIRA (10/2)

Foi um dia muito significativo este, pois foi quando todos os alunos novos, não só os internacionais, passaram por um rito Maori (o primeiro povo que habitou a Nova Zelândia) de boas vindas. Neste ritual, alunos (cuja maioria descende de maoris) cantam e dançam conforme os costumes maoris, tornando assim todos os estrangeiros seus iguais. Foi neste dia que me tornei de fato uma aluna da Kerikeri High School.
Depois da passagem, fomos apresentados a algumas regras da escola que me deixaram louca, mesmo elas não se aplicando ao ano 13, que é o em que estou. Eles basicamente tiram o seu direito de se vestir como quiser: você não pode em hipótese alguma ir sem o uniforme para a sala de aula (eles até emprestam algumas peças se você chegar sem), se virem maquiagem no seu rosto vão te fazer tirá-la, o mesmo se aplica a esmaltes. Seu cabelo não pode portar cores não naturais (tipo azul, verde, vermelho) ou um corte não convencional. Os homens que estiverem no ano 13 devem sempre usar camisa com gola (neste ano não temos que usar o uniforme da escola) e as mulheres nunca devem usar saias e shorts muito curtos. Não podemos nem usar regata (devo admitir que esta foi a primeira regra que já quebrei)! Acessórios devem ser discretos e poucos (se forem invisíveis é melhor ainda!), um brinco por orelha, uma pulseira, um relógio e um anel (outra regra já quebrada por mim). Mas é fato que eu aceitei e escolhi estudar nessa escola já sabendo de algumas dessas regras, mas também é fato que uma unha colorida não mata ninguém.
Neste dia também tive as mesmas aulas que minha kiwi-buddy, só para ver como eram. Nós tivemos Maori e Música, achei ambas bem divertidas e livres.

TERÇA-FEIRA (11/2)

Terça foi o meu primeiro dia de aula pra valer. Todos os kiwis já tinham começado suas aulas, então basicamente eu teria que entrar no meio de uma matéria já iniciada em uma classe já formada. Estava bem ansiosa e nervosa, mas não mais do que no dia em que dei uma festinha de aniversário. Já devo ter mencionado aqui que nesta escola não são os professores que mudam de sala e sim os alunos, então em cada matéria há um diferente grupo de alunos.  
Todos os dias todos os alunos têm a mesma aula, embora em salas diferentes, é a chamada Form Class. Nela, o professor fala as notícias do dia, as atividades que acontecerão, horários, isso e aquilo. Dura só alguns minutos.
As minhas primeiras aulas sempre serão em uma classe que está em uma ponta da escola e, na terça, a minha segunda aula seria no extremo oposto ao em que eu estava. Então, quando o sinal tocou, corri loucamente para o outro lado da escola. E é claro que eu me perdi no caminho.

Mapa da escola. Na primeira aula eu estava na sala ART2, no topo do mapa. Na segunda, eu deveria estar na DRM2, na parte inferior da escola.


A segunda aula foi Teatro (aqui é chamado de Drama). Cheguei lá e não vi nenhum aluno conhecido, mas procurei me manter calma. A professora me deu o roteiro de uma peça (cujo nome não tenho aqui) gigante, com quase 100 páginas que eles já começaram a ler. Todos os alunos já tinham uma personagem e não havia sobrado nenhuma para mim, ou seja, fiquei só ouvindo eles lerem a peça sem entender nada sobre ela. Os alunos não me trataram mal, mas também não me trataram bem, foi como se eu não existisse e aquilo me deixou bem desanimada.
A próxima aula foi Artes, de volta ao outro extremo da escola (Sala Art 4). Gostei bastante do professor (ele tem um cabelo grisalho muito longo), ele foi muito gentil comigo (gostaria de lembrar seu nome). Nesse momento, ele pediu para eu fazer uma colagem livre, poderia usar qualquer coisa e fazer qualquer coisa também. Fiquei atônita: aquela sala era tão grande, tão cheia de materiais e trabalhos lindos que nem sabia por começar. No fim até que fiquei bem satisfeita com meu trabalho.
A seguir foi o intervalo, onde finalmente encontrei meus amigos e pude comer e conversar com eles. Ao que tudo indicou, eu não fui a única a passar as primeiras aulas sozinha.
Quarta aula: Hospedagem. Nela, por sorte, encontrei vários conhecidos, e a professora só demonstrou uma receita que faríamos na próxima aula e nos deu alguns exercícios (que mais pareciam Física) para fazer (me descobri com saudades de Física).
Depois tive uma aula chamada Tutorial que eu não entendi muito pra que serve. A meu ver, o professor deu mais notícias e falou algumas coisas durante pouquíssimos minutos. Em seguida, ele pediu para eu e o Fillipo (aluno internacional da Itália, que também estava começando as aulas) escrevermos de modo artístico nossos nomes para pendurar na parede. Eu gostei tanto do meu que preferi levar para casa (hehehe).
O meu sexto período foi livre! Sim, esse tipo de coisa existe aqui. Os alunos do ano 13 têm períodos livres, ou seja, sem aula e podemos fazer o que quisermos nesse tempo. Como o sexto período é o último eu já podia ir para casa, mas minha amiga Trees, que tem os mesmos horários livres que eu, me convidou para ir à sua casa. Lá, encontrei sua host-sister que é daqui mesmo e um amigo dela. E adivinha? Depois do almoço, nós quatro fomos andar de caiaque! E adivinha? Eu não sabia andar de caiaque! E adivinha? A Trees, no seu jeito meigo de ser, me colocou sozinha num caiaque, só com as mínimas explicações e me mandou pro meio do rio (sim, ela tem um rio na frente de casa). Ela foi em um barco diferente e esperava que eu, só sabendo o movimento que deveria fazer, ficaria bem e sairia navegando melhor que Amyr Klink. Só que não foi bem assim. Eu não sabia como fazer o caiaque dar curvas e nem como segurar os remos direito e nem como remar direito! Meus primeiros minutos foram um desastre, mas passou um tempo e consegui aprender sozinha como fazer as manobras. E, após eu falar para os kiwis presentes (a host-sister e o amigo) que a Belga não me ensinou nada, ela ficou constrangida e me deu algumas dicas. Eles disseram que para a primeira vez eu estava me saindo extraordinariamente bem, e eles amaram meu sotaque. Eu não consegui ir muito rápido, mas eu amei! Mal posso esperar para fazer de novo.
Depois de algumas horas navegando, nós quatro fomos à piscina da casa e lá ficamos por um bom tempo, até que a Judith veio me buscar. Sou muito grata à Trees por essa oportunidade, ela salvou o meu dia (ou pelo menos o tornou muito melhor).
Ontem à noite, vivi um dos meus momentos depressivos e cheios de saudades, mas consegui me livrar bem deles: comi alguns dos milhões de chocolates que ganhei de aniversário (alguns belgas e outros alemães.... muuuuito bom) e assisti um dos filmes que aluguei. Estou descobrindo que o segredo da felicidade nas primeiras semanas de intercâmbio é manter a mente ocupada. Se não o faço, tem momentos em que ela insiste em voltar para o Brasil, fica revivendo memórias e coisas do tipo. Mas se está ocupada, consegue se manter no presente e ver que ele não é tão ruim.

QUARTA-FEIRA (hoje – 12/02)

Segundo dia de aula e eu não estava nervosa.
A primeira aula foi Biologia e a professora já deu um experimento para fazermos a longo prazo: devemos escolher um animal ou planta, estudar suas reações a alguns eventos e nomeá-las de um jeito científico que aprendi hoje. Nesta aula, Trees estava presente, para minha alegria. Gostei muito dessa aula.
A segunda aula foi de inglês e foi praticamente igual as que tenho no Brasil.
Em seguida tive Teatro, que foi exatamente a mesma coisa que a aula anterior.
No quinto período tive Arte. Nessa aula, o professor nos deu uma tábua de uns 10 centímetros para trabalharmos em cima, dizendo que devíamos praticar desenhar e pintar em uma escala menor. Desenhei o retrato de um dragão azul, gostei do resultado.
O sexto período foi de culinária e desta vez pra valer! Assim que chegamos na sala a professora disse que podíamos começar (a cozinha deles é muito show) e eu, ao contrário de todo mundo, não sabia onde nada estava e nem os termos usados em inglês para os ingredientes. De um segundo para o outro, todo mundo estava correndo como se suas vidas dependessem disso. Eles pegavam instrumentos e ingredientes e faziam tudo tão rápido que só me deixou mais perdida. Mas logo achei alguém que estava na mesma situação que eu: Giovanni, um novo internacional da Itália. Nós dividimos a cozinha e começamos a cozinhar. Ele se embananou um pouco e acabou não saindo da primeira parte da receita a aula inteira. Eu, por outro lado, superei o pânico e fui pedir ajuda para a professora. Lentamente fui preparando minhas comidinhas e fui a última aluna a deixar a sala. Tivemos que limpar todos os materiais usados e coisas assim. Mas no final, meus docinhos ficaram ótimos.



O que direi a seguir não vai agradar a minha linda irmãzinha Alice, mas ela tem que saber que ela é a primeira e única irmã e sempre será a mais linda, engraçada e meiga de todas elas. Mas é algo que eu quero muito dizer.
Ao que parece, as irmãs mais novas são todas iguais, não importa de qual parte do mundo elas vêm!! A Alina, de 14 anos, é extremamente parecida com a Alice! Ambas estão nessa neurose exaustiva de “Tenho que emagrecer! Tenho que comer coisas saudáveis! Não posso comer doces não importa o quanto eu os queira! Tenho que fazer exercício!”, quando seus corpos são perfeitos. Eu diria que a Alina é mais neurótica que a Alice. Ambas gostam de me irritar, também.
Mas estou tendo ótimos momentos com Alina. Ela é muito divertida e tem uns ataques de riso muito engraçados e por motivo nenhum, tipo a minha cara. Só acho que ela devia parar com todo esse estresse, ela á magérrima!
OBSERVAÇÃO Alice, você é a melhor irmã do mundo! É insubstituível, então não tem do que ter ciúmes! EU TE A-M-O!

Hoje eu e Alina voltamos a pé da escola. Judith podia nos buscar, mas a Alina queria ir andando para ser saudável e eu a acompanhei. Quero dizer, acompanhei até a Judith aparecer de carro e me resgatar. Foram 40 minutos de caminhada na subida e descida embaixo do Sol! Eu não aguentava mais.

Filomena, a aranha que vive no meu quarto e o segundo ser nesta casa com quem eu posso falar em português. O outro é o Mack.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Parabéns para mim!

Não é todo dia que se faz 18 anos.
Nesta ocasião, além de tudo o que esta idade trás de novo, houve também várias coisas inéditas que a Betina brasileira não faria.
Para começar, eu chamei amigos para vir em casa, o que eu nunca faço, especialmente nos meus aniversário. Isso pode parecer simples, mas como sou uma pessoa tímida acaba sendo complicado. E fica mais complicado ainda porque eu estou há menos de duas semanas em uma escola nova que fica em um país novo! Ou seja, quem devo convidar considerando que não conheço quase ninguém? Acabei convidando todo mundo com quem já falei (e tenho um pouco mais de intimidade, por assim dizer) durante o período escolar, umas dez pessoas.
Na madrugada deste dia, acabei acordando algumas vezes por nervosismo, acho. Em uma dessas vezes, acho que por volta das cinco da manhã, decidi que não aguentava mais meu cabelo e fiz outra coisa que a Betina que ficou no Brasil não faria (principalmente porque ela tem cabeleireiro pertinho de casa): peguei uma tesoura qualquer e ZAS! Cortei meu próprio cabelo. Corte até que bem curtinho mas eu gostei (acho que só não surtei, como geralmente faço, porque a única pessoa que poderia culpar sou eu mesma e não o cabeleireiro). Papai e mamãe, se nada der certo, posso ser cabeleireira (ou manicure)!
Depois de tomar café e coisas assim, Judith e eu saímos para comprar algumas coisinhas. Nisso, paramos em uma locadora de vídeos (isso ainda existe aqui!) onde aluguei uns seis, sete vídeos e comprei muitas guloseimas! Nota: a pipoca aqui é vendida pronta, dentro de saquinhos! Eu não gostei muito.
As compras do dia

De volta para casa eu estava morrendo de sono então, depois de assistir Valente com Alina, fui para a cama até às 16h, que foi quando os convidados chegaram pontualmente. Eu estava tão nervosa! Não queria ficar com eles, não sabia o que fazer ou falar e ficava repetindo para mim: "Agora eu me lembro porque a Betina brasileira não faz festas". 
No início houve um silêncio constrangedor. Para acabar com a parte constrangedora do negócio, escolhi um filme (Efeito borboleta) que todos gostaram muito. 
Quando o filme acabou e eu já estava mais calma, descemos as escadas para deliciar as comidinhas da Judith. Ela preparou alguns pãezinhos com tomate e cebola e deixou para nós uma mesa cheia de ingredientes, onde pudemos fazer nossa própria pizza. Genial! Eu amei!
Depois de empanturrados, ficamos conversando, jogamos bola, rimos e comemos mais. Eles ficaram aqui até umas 20h. Ah, teve parabéns (a pior parte de uma festa de aniversário, a meu ver) com um bolo que Judith e Alina fizeram para mim. Estava delicioso!
A host-mother de uma das garotas (da minha kiwi-buddy) que conhece bastante sobre cavalos, disse que o lugar pelo qual eu paguei para ter aulas de hipismo não vai me levar ao lugar que eu quero. Digo, enquanto estiver aqui, quero treinar e dar duro no hipismo, para quando voltar no Brasil eu esteja em  forma e não tenha regredido. A senhora me disse que lá é uma coisa de louco: é um lugar onde as pessoas não treinam, só estão lá para se divertir e quando treinam é uma coisa completamente diferente da qual estou acostumada: eles não usam bridão, sela ou ferradura. Falaram que o banheiro de lá é nojento e muitos dos internacionais que vão para lá acabam não querendo ir mais. Judith queria interromper a mulher e me proteger mas não deu muito certo... estou bem preocupada agora. Acho que pode ser super interessante conhecer um outro estilo da equitação, mas eu quero melhorar no que eu amo, que é o concurso completo. Não quero voltar pro Brasil sem ter treinado nada.
Apesar da preocupação e dos avisos, vou tentar ir de mente aberta para lá pelo menos umas três vezes. Se eu não gostar, Judith disse que vai comigo reclamar no departamento dos estudantes internacionais, uma vez que eles colocaram muitas expectativas na minha cabeça e estão correndo o risco de me desapontar.
No final das contas, gostei de ter variado a minha rotina de aniversariante, quem sabe eu não faça isso mais vezes?
Terça minhas aulas começam pra valer e estou bem ansiosa. 
Sou muito grata pelos amigos que estou fazendo aqui, eles são simplesmente incríveis e eu amo todos (papai, mamãe, não quero ir pra casa!). As oportunidades que estão me aparecendo também são do melhor tipo e farei o possível para abraçar todas elas.
Ontem eu, Alina e uma amiga (Danielle) da Alemanha, fomos à uma praia aqui perto. Não era a praia que eu estava esperando, não tinha areia, só conchas e pedras, e nem ondas! Estava mais para uma grande lagoa de água salgada. Mas foi muito bom tomar algum sol depois de tanta chuva.
Aqui vão algumas fotos:



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Fotos, finalmente!

Olá!
Alguns estavam morrendo por fotos e como sou uma pessoa muito bondosa, resolvi atender os pedidos e postar algumas aqui. Me amem!
PS.: Todas elas estão no meu facebook!



Mel direto da fábrica

Lukas e Trees

Abelhas trabalhando

Fábrica de chocolate

Rainbow falls


As fotos a seguir são todas da casa (sim, fiquei com preguiça de colocar legendas), qualquer dúvida é só perguntar.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vidinha de kiwi começando

O que você faria se, ao entrar na cozinha, visse uma velhinha olhando fixamente para o nada e apontando uma escumadeira para o teto com o braço erguido? Não sei você, mas eu fiquei parada olhando e esperando o próximo ato de Judith. E PAF! Ela atingiu a mesa com a escumadeira! Só depois fui entender que ela estava atrás de uma mosca.
Judith é uma velhinha que vem me surpreendendo. Por exemplo: se em uma mesa há uma senhora de 73 anos, duas adolescentes, uma de 14 e outra de 17 anos e um celular, de quem é o aparelho? Neste caso ele é o da velhinha! Ela é muito divertida e cheia de energia. Acho que ela fez muito bem em se inscrever no programa para "adotar" temporariamente alunos estrangeiros, todos os velhinhos deviam fazer isso.
Ontem (dia 6, quinta) foi feriado e, por estar chovendo ficamos em casa. Outra aluna internacional que mora perto veio nos visitar e junto com Alina, assistimos um filme.
Hoje foi outro dia muito chuvoso de Kerikeri High School.
Mas nós não ficamos muito na sala: fomos de ônibus para uma fábrica de chocolate, outra de mel e uma cachoeira chamada Rainbow Falls, embora nós não vimos nenhum arco-íris.
De volta à escola, fui finalmente escolher as matérias que farei até julho (sim, eu posso escolhê-las pois, como já terminei o Ensino Médio não tenho nenhuma obrigação UHUUUUUUL)!! Junto com Mr. Berry descobri que me sai muito bem no teste de inglês e fui para a turma mais avançada! As matérias escolhidas foram: Biologia, Teatro, Hospedagem (que é tipo culinária), Inglês e Pintura. Algumas são bem diferentes das quais estou acostumada, mas essa é a intenção. Enquanto estiver aqui, quero fazer tudo o que a Betina do Brasil não faria.
Mais tarde, em casa, lá estava eu arrumando algumas coisas no meu quarto quando, do cômodo vizinho, consigo ouvir a seguinte música: "Ai se eu te pego". Fiquei incrédula e fui checar. Era isso mesmo. A minha host-sister estava ouvindo e cantando Michel Teló. Eu não acreditei. Fui morar no outro lado do mundo com uma senhora inglesa e uma adolescente alemã... a última coisa que eu esperava ouvir aqui era aquela música! Perguntei à Alina se ela sabia o que estava sendo cantado, ela não tinha nem ideia que aquilo era português, mas mesmo assim insistia em tentar cantar. Perguntei como ela conheceu a música para acabar descobrindo que Michel Teló toca no rádio alemão! Fiquei meio envergonhada e a gringa cantando toda feliz e serelepe, sem tem a menor ideia do que estava falando.
Conforme os dias vão passando, começo a perceber a importância dos meus objetos nesta nova vida. Quando olho tudo o que trouxe do Brasil enfeitando meu quarto me sinto mais em casa, sinto que estou em um lugar familiar. É muito reconfortante ver todos os meus vestígios ali pertinho de mim quando estou tão longe.
Também percebo as línguas se misturando na minha mente, fala e escrita. Às vezes me enrolo e sou capaz de falar inglês e português ao mesmo tempo e ambos errado! Quando falo sozinha já estou o fazendo em inglês e às vezes quando quero uma palavra em português ela só me vem em inglês. Para escrever é a mesma coisa, nem sempre a palavra vem no idioma que quero e eu estou começando a pensar quase que totalmente em inglês, menos nas manhãs, onde demoro para conseguir entender qualquer coisa e só fico consentindo com a cabeça.
Muitos dos leitores (sim! Muitos leram minha primeira postagem, tive quase 300 visualizações!) ficaram preocupados com meu tom depressivo no último post, então eu queria dizer que estou muito bem e mais feliz a cada dia. Estou fazendo muitos amigos e adorando ir para a escola. As pessoas que estão me cercando são incríveis e eu já as amo. Esta será a mais incrível das minhas aventuras.
Neste domingo é meu aniversário (eu estava quase esquecendo dele) e o povo aqui ficou todo animado para dar uma "festinha" em comemoração aos meus 18 anos, então hoje eu convidei algumas pessoas para passar a tarde aqui em casa dia 9.

Amanhã é sábado e eu não faço a menor ideia do que fazer, o que é totalmente diferente para mim. We'll see!
Alunos internacionais que entraram neste ano!


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Nova Zelândia, cheguei

Nova Zelândia, cheguei!
05.02
Acho que foi só hoje que meu intercâmbio começou de verdade. Assim que virei a esquina e caminhei pelos corredores da minha nova escola deixando para trás pai e irmã, a nova etapa da minha vida ganhou forma.
Não foi fácil virar aquela esquina. Não foi fácil segurar novas lágrimas e secar as antigas. Não foi fácil ir à sala de aula e sempre responder que estava tudo bem quando na verdade queria dizer que sentia saudades da minha mãe, irmã, pai, namorado, cadelas, cachorros, cavalos, amigos, bichinhos de pelúcia...  Mas eu sabia que não escolhi um caminho fácil. Ir para o outro lado do mundo e conviver com novas pessoas, línguas, ambientes e culturas e hábitos não é fácil, então por que o resto deveria ser menos complicado?
Hoje não fiquei nervosa ao entrar na sala de aula. Acho que foi porque outro imenso sentimento tomava conta de mim.
A meu ver, hoje não fizemos nada de muito útil. O evento do dia foi (finalmente) fazer o meu teste de inglês, que não estava muito difícil, mas que em alguns momentos me deixou bem confusa. Também fomos ao “centro” criar uma conta no banco local. Lá conversei com duas novas pessoas: Trees, de 18 anos da Bélgica e Lukas, de 16 anos da Alemanha. Me diverti muito com eles.
E finalmente fui à minha nova casa. Judith e eu conversamos bastante sobre os deveres do lar (sou tão feliz por ela ser uma velhinha com bastante tempo livre: ela faz quase tudo!) e desfiz minhas malas enquanto conversava com o Rapha pelo WhatsApp. Foi um momento muito bom aquele. Adoro organizar minhas coisas, pois tenho a impressão de que ao mesmo tempo estou organizando minha vida. A Alina apareceu nesse meio tempo e nós conversamos um pouco. Ela é muito legal.
Antes do jantar conversei com meu pai. Foi muito bom, mas também ajudou a dar uma martelada no meu coração e passei boa parte do resto de dia chorando. Ele tornou a me ligar várias vezes e o resultado sempre foi o mesmo: choro, choro, choro e mais choro. Dizem que as primeiras semanas são as mais difíceis, mas ninguém falou nada sobre passar por elas de tpm.

Acabei de tomar o banho mais rápido da minha vida e receber outra ligação do meu pai (estou chorando até agora). A Alina já foi dormir (não são nem nove horas da noite) e vou tentar a sorte e pedir pra Judith ligar a wi-fi, assim consigo criar um blog e postar isto nele.