terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um dia depois do outro

SEGUNDA-FEIRA (10/2)

Foi um dia muito significativo este, pois foi quando todos os alunos novos, não só os internacionais, passaram por um rito Maori (o primeiro povo que habitou a Nova Zelândia) de boas vindas. Neste ritual, alunos (cuja maioria descende de maoris) cantam e dançam conforme os costumes maoris, tornando assim todos os estrangeiros seus iguais. Foi neste dia que me tornei de fato uma aluna da Kerikeri High School.
Depois da passagem, fomos apresentados a algumas regras da escola que me deixaram louca, mesmo elas não se aplicando ao ano 13, que é o em que estou. Eles basicamente tiram o seu direito de se vestir como quiser: você não pode em hipótese alguma ir sem o uniforme para a sala de aula (eles até emprestam algumas peças se você chegar sem), se virem maquiagem no seu rosto vão te fazer tirá-la, o mesmo se aplica a esmaltes. Seu cabelo não pode portar cores não naturais (tipo azul, verde, vermelho) ou um corte não convencional. Os homens que estiverem no ano 13 devem sempre usar camisa com gola (neste ano não temos que usar o uniforme da escola) e as mulheres nunca devem usar saias e shorts muito curtos. Não podemos nem usar regata (devo admitir que esta foi a primeira regra que já quebrei)! Acessórios devem ser discretos e poucos (se forem invisíveis é melhor ainda!), um brinco por orelha, uma pulseira, um relógio e um anel (outra regra já quebrada por mim). Mas é fato que eu aceitei e escolhi estudar nessa escola já sabendo de algumas dessas regras, mas também é fato que uma unha colorida não mata ninguém.
Neste dia também tive as mesmas aulas que minha kiwi-buddy, só para ver como eram. Nós tivemos Maori e Música, achei ambas bem divertidas e livres.

TERÇA-FEIRA (11/2)

Terça foi o meu primeiro dia de aula pra valer. Todos os kiwis já tinham começado suas aulas, então basicamente eu teria que entrar no meio de uma matéria já iniciada em uma classe já formada. Estava bem ansiosa e nervosa, mas não mais do que no dia em que dei uma festinha de aniversário. Já devo ter mencionado aqui que nesta escola não são os professores que mudam de sala e sim os alunos, então em cada matéria há um diferente grupo de alunos.  
Todos os dias todos os alunos têm a mesma aula, embora em salas diferentes, é a chamada Form Class. Nela, o professor fala as notícias do dia, as atividades que acontecerão, horários, isso e aquilo. Dura só alguns minutos.
As minhas primeiras aulas sempre serão em uma classe que está em uma ponta da escola e, na terça, a minha segunda aula seria no extremo oposto ao em que eu estava. Então, quando o sinal tocou, corri loucamente para o outro lado da escola. E é claro que eu me perdi no caminho.

Mapa da escola. Na primeira aula eu estava na sala ART2, no topo do mapa. Na segunda, eu deveria estar na DRM2, na parte inferior da escola.


A segunda aula foi Teatro (aqui é chamado de Drama). Cheguei lá e não vi nenhum aluno conhecido, mas procurei me manter calma. A professora me deu o roteiro de uma peça (cujo nome não tenho aqui) gigante, com quase 100 páginas que eles já começaram a ler. Todos os alunos já tinham uma personagem e não havia sobrado nenhuma para mim, ou seja, fiquei só ouvindo eles lerem a peça sem entender nada sobre ela. Os alunos não me trataram mal, mas também não me trataram bem, foi como se eu não existisse e aquilo me deixou bem desanimada.
A próxima aula foi Artes, de volta ao outro extremo da escola (Sala Art 4). Gostei bastante do professor (ele tem um cabelo grisalho muito longo), ele foi muito gentil comigo (gostaria de lembrar seu nome). Nesse momento, ele pediu para eu fazer uma colagem livre, poderia usar qualquer coisa e fazer qualquer coisa também. Fiquei atônita: aquela sala era tão grande, tão cheia de materiais e trabalhos lindos que nem sabia por começar. No fim até que fiquei bem satisfeita com meu trabalho.
A seguir foi o intervalo, onde finalmente encontrei meus amigos e pude comer e conversar com eles. Ao que tudo indicou, eu não fui a única a passar as primeiras aulas sozinha.
Quarta aula: Hospedagem. Nela, por sorte, encontrei vários conhecidos, e a professora só demonstrou uma receita que faríamos na próxima aula e nos deu alguns exercícios (que mais pareciam Física) para fazer (me descobri com saudades de Física).
Depois tive uma aula chamada Tutorial que eu não entendi muito pra que serve. A meu ver, o professor deu mais notícias e falou algumas coisas durante pouquíssimos minutos. Em seguida, ele pediu para eu e o Fillipo (aluno internacional da Itália, que também estava começando as aulas) escrevermos de modo artístico nossos nomes para pendurar na parede. Eu gostei tanto do meu que preferi levar para casa (hehehe).
O meu sexto período foi livre! Sim, esse tipo de coisa existe aqui. Os alunos do ano 13 têm períodos livres, ou seja, sem aula e podemos fazer o que quisermos nesse tempo. Como o sexto período é o último eu já podia ir para casa, mas minha amiga Trees, que tem os mesmos horários livres que eu, me convidou para ir à sua casa. Lá, encontrei sua host-sister que é daqui mesmo e um amigo dela. E adivinha? Depois do almoço, nós quatro fomos andar de caiaque! E adivinha? Eu não sabia andar de caiaque! E adivinha? A Trees, no seu jeito meigo de ser, me colocou sozinha num caiaque, só com as mínimas explicações e me mandou pro meio do rio (sim, ela tem um rio na frente de casa). Ela foi em um barco diferente e esperava que eu, só sabendo o movimento que deveria fazer, ficaria bem e sairia navegando melhor que Amyr Klink. Só que não foi bem assim. Eu não sabia como fazer o caiaque dar curvas e nem como segurar os remos direito e nem como remar direito! Meus primeiros minutos foram um desastre, mas passou um tempo e consegui aprender sozinha como fazer as manobras. E, após eu falar para os kiwis presentes (a host-sister e o amigo) que a Belga não me ensinou nada, ela ficou constrangida e me deu algumas dicas. Eles disseram que para a primeira vez eu estava me saindo extraordinariamente bem, e eles amaram meu sotaque. Eu não consegui ir muito rápido, mas eu amei! Mal posso esperar para fazer de novo.
Depois de algumas horas navegando, nós quatro fomos à piscina da casa e lá ficamos por um bom tempo, até que a Judith veio me buscar. Sou muito grata à Trees por essa oportunidade, ela salvou o meu dia (ou pelo menos o tornou muito melhor).
Ontem à noite, vivi um dos meus momentos depressivos e cheios de saudades, mas consegui me livrar bem deles: comi alguns dos milhões de chocolates que ganhei de aniversário (alguns belgas e outros alemães.... muuuuito bom) e assisti um dos filmes que aluguei. Estou descobrindo que o segredo da felicidade nas primeiras semanas de intercâmbio é manter a mente ocupada. Se não o faço, tem momentos em que ela insiste em voltar para o Brasil, fica revivendo memórias e coisas do tipo. Mas se está ocupada, consegue se manter no presente e ver que ele não é tão ruim.

QUARTA-FEIRA (hoje – 12/02)

Segundo dia de aula e eu não estava nervosa.
A primeira aula foi Biologia e a professora já deu um experimento para fazermos a longo prazo: devemos escolher um animal ou planta, estudar suas reações a alguns eventos e nomeá-las de um jeito científico que aprendi hoje. Nesta aula, Trees estava presente, para minha alegria. Gostei muito dessa aula.
A segunda aula foi de inglês e foi praticamente igual as que tenho no Brasil.
Em seguida tive Teatro, que foi exatamente a mesma coisa que a aula anterior.
No quinto período tive Arte. Nessa aula, o professor nos deu uma tábua de uns 10 centímetros para trabalharmos em cima, dizendo que devíamos praticar desenhar e pintar em uma escala menor. Desenhei o retrato de um dragão azul, gostei do resultado.
O sexto período foi de culinária e desta vez pra valer! Assim que chegamos na sala a professora disse que podíamos começar (a cozinha deles é muito show) e eu, ao contrário de todo mundo, não sabia onde nada estava e nem os termos usados em inglês para os ingredientes. De um segundo para o outro, todo mundo estava correndo como se suas vidas dependessem disso. Eles pegavam instrumentos e ingredientes e faziam tudo tão rápido que só me deixou mais perdida. Mas logo achei alguém que estava na mesma situação que eu: Giovanni, um novo internacional da Itália. Nós dividimos a cozinha e começamos a cozinhar. Ele se embananou um pouco e acabou não saindo da primeira parte da receita a aula inteira. Eu, por outro lado, superei o pânico e fui pedir ajuda para a professora. Lentamente fui preparando minhas comidinhas e fui a última aluna a deixar a sala. Tivemos que limpar todos os materiais usados e coisas assim. Mas no final, meus docinhos ficaram ótimos.



O que direi a seguir não vai agradar a minha linda irmãzinha Alice, mas ela tem que saber que ela é a primeira e única irmã e sempre será a mais linda, engraçada e meiga de todas elas. Mas é algo que eu quero muito dizer.
Ao que parece, as irmãs mais novas são todas iguais, não importa de qual parte do mundo elas vêm!! A Alina, de 14 anos, é extremamente parecida com a Alice! Ambas estão nessa neurose exaustiva de “Tenho que emagrecer! Tenho que comer coisas saudáveis! Não posso comer doces não importa o quanto eu os queira! Tenho que fazer exercício!”, quando seus corpos são perfeitos. Eu diria que a Alina é mais neurótica que a Alice. Ambas gostam de me irritar, também.
Mas estou tendo ótimos momentos com Alina. Ela é muito divertida e tem uns ataques de riso muito engraçados e por motivo nenhum, tipo a minha cara. Só acho que ela devia parar com todo esse estresse, ela á magérrima!
OBSERVAÇÃO Alice, você é a melhor irmã do mundo! É insubstituível, então não tem do que ter ciúmes! EU TE A-M-O!

Hoje eu e Alina voltamos a pé da escola. Judith podia nos buscar, mas a Alina queria ir andando para ser saudável e eu a acompanhei. Quero dizer, acompanhei até a Judith aparecer de carro e me resgatar. Foram 40 minutos de caminhada na subida e descida embaixo do Sol! Eu não aguentava mais.

Filomena, a aranha que vive no meu quarto e o segundo ser nesta casa com quem eu posso falar em português. O outro é o Mack.

2 comentários:

  1. Linda Bê! Que delícia ler seu blog. Eu me sinto na torcida do Corinthias, vibrando a cada jogada feliz e me remoendo a cada infelicidade! Bola prá frente Filhote!

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  2. Bê usei técnicas digitais avançadas e descobri que a Filomena é macho...e surdo!
    Rsrrsrs


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