Hoje é domingo e fomos andar de caiaque!
Mas falemos primeiro sobre ontem.
No sábado o evento do dia foi um churrasco em um
parque perto de casa. Nele, só foram os alunos internacionais e acredite, havia
muitos deles lá.
Tem uma parte minha que ainda não se conformou por
eu estar tentando sair da Betina brasileira. Foi essa parte que me fez chegar ao
churrasco, sentar e conversar por uns dez, quinze minutos, se encher e querer
voltar para casa. Porém, como sempre tem um porém, a Betina neozelandesa estava
encarnada em outra pessoa: Alina. Nós fomos ao churrasco a pé e deveríamos
fazer o mesmo na volta e juntas. Ela não parecia estar muito mais animada do
que eu, mas não quis ir embora. Então fiquei.
O tempo foi passando e as coisas começaram a ficar
interessantes. Estava conversando mais e me divertindo mais. Vi o vídeo de uma
vaca parindo e não foi exatamente uma coisa bonita e mágica. Foi nojento! O
bezerro estava virado ao contrário na barriga da mãe e iria matar ambos se não
houvesse intervenção, que foi justamente o que eu vi: dois homens puxando as
patas do bicho pra fora da vaca com tudo. É. Nojento.
Quando eu mais estava me divertindo, tivemos que
ir embora, pois já estava muito escuro e Judith não queria que chegássemos
depois das nove.
Agora vamos ao que (me) interessa: caiaques
everywhere!
Já tinha combinado há um tempo com Trees e
Danielle que iríamos andas de caiaque neste fim de semana. E foi o que
aconteceu!
Acordei mais cedo que o necessário hoje, lá pelas
oito. E por volta das onze, já estava na casa da Trees novamente, onde
encontrei Danielle.
Empacotamos algumas coisas: almoço, protetor solar
e garrafas d’água e partimos!
Utilizei o mesmo caiaque que a última vez, um
verde, só que desta vez estava muito mais confiante e não comecei a berrar por
socorro quando entrei na água.
Tínhamos como objetivo sair do rio e desaguarmos
no mar, para tentar ver golfinhos.
No começo estava tudo certo, foi só ficarmos mais
próximas do mar que as coisas começaram a piorar. Antes, não havia ondas ou
vento que pudessem atrapalhar nossa jornada, mas agora, com a água salgada se
juntando e tomando o lugar da doce (mesmo não estando no mar), começaram a vir
à tona alguns obstáculos. Passamos a ter de enfrentar o vento e as ondas, que
estavam contra nós.
Se você pensa que umas ondinhas e uma brisa
caminhando para o lado oposto ao seu não fazem diferença de cima de um caiaque,
vá aprender a navegar na mesma situação. Tudo ficou mais difícil! A cada
braçada que dávamos andávamos menos, o barco pulava com as ondas e insistia em
tentar virar. O remo começou a pesar em minhas mãos e cada movimento exigia
mais força.
Logo meus braços já estavam pedindo arrego e ainda
nada de mar. Trees apontou uma pequena ilha no horizonte e disse que pararíamos
lá para almoçar. Meu queixo caiu. Naquele momento, a tal ilha era só um
pontinho perdido na distância. Partiu morrer, pensei.
Às vezes, mesmo se estiver morrendo, mas se tiver
enfiado uma coisa na minha cabeça de tal maneira, vou ignorar todo o resto e
deixar minha teimosia reinar. Foi o que aconteceu: fingi que a dor em meus
braços não estava lá e comecei a remar incessantemente.
De remada em remada, respiração por respiração,
onda por onda, finalmente cheguei à benedita ilha, e fui a primeira! Rá! A
novata aqui não é pouca coisa, não!
E meus braços nem estavam doendo tanto!
A primeira coisa que fizemos foi dar uma volta na
ilha a pé. Foi rapidinho e ela era linda. Cheia de conchas no chão e algas na
praia. Água transparente e fresquinha, além de ser arborizada. Tínhamos
descoberto um pequeno paraíso!
Dada a volta, almoçamos. Trouxe um wrap que eu
mesma fiz, por isso que nele só tinha queijo, alface e sal. Terminado, deitei
nas pedras e tomei um pouco de sol. Esse momento foi mágico.
Ali, deitada sob o Sol, fechei meus olhos. Pude
ouvir as ondas quebrando na areia, as gaivotas cantando no céu e a mim mesma.
Percebi ali o quanto estava feliz. Sentia uma energia enorme entrando e saindo
de mim, parecia estar levando embora todos meus problemas, tristezas e agonias.
Achei que poderia ficar lá para sempre. Lá, me senti em paz. Havia paz me
invadindo e paz ao meu redor. Estava leve, quase flutuando; em estado
meditativo. Me senti eterna, me senti feliz, me senti em paz.
Achei que a volta para a casa da Trees seria mais
fácil, pois estaríamos a favor do vento e das ondas, mas não foi bem assim.
Naquela situação, o meu caiaque acabava se entortando toda hora, não consegui
mantê-lo no sentido certo e meus braços estavam doendo mais.
Em vários momentos tive certeza de que não estava
saindo do lugar não importa o quanto remasse. Aquilo me deixou agoniada e eu
quase saltei para fora do caiaque para puxá-lo, o que certamente seria mais
fácil.
Horas mais tarde (sim, horas. Na ida demoramos uma
hora para chegar à ilha, na volta foram bem mais) finalmente alcançamos a água
doce, sem vento e sem ondas para atrapalhar a nossa vida.
Para encerrar bem o dia, caímos na piscina, onde
relaxamos por um bom tempo.
Agora são oito e meia da noite e meus braços
começaram a dar indícios de que amanhã eles não farão nada mais do que ficar
pendurados e doendo. Pelamordedeus, tá começando a doer demais!
Apesar da dor que me virá, tenho certeza de que
nunca vou me arrepender de ter mostrado a mim mesma que minha convicção (e
teimosia) vai além da minha força e pode me trazer a lugares maravilhosos e a
aventuras inesquecíveis.
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| O ser com a camisa na cabeça sou eu. Comecávamos a nossa jornada. |
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| Dando a volta na ilha. |
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| Trees, Danielle, eu. |
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| Betina feliz. |
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| Somos sereias. |
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| Eu e Danielle. |
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| Euu |







Loirinha, você não sabe como fico feliz ao ler seu blog. Viajei naquele momento de profunda Paz que você viveu, depois fiquei com aquela imagem me acompanhando durante o dia.
ResponderExcluirAs fotos estão maravilhosas. Adorei essas tiradas sob a água.
Te Amo Muito,
Daniel