SEGUNDA-FEIRA (10/2)
Foi um dia muito significativo
este, pois foi quando todos os alunos novos, não só os internacionais, passaram
por um rito Maori (o primeiro povo que habitou a Nova Zelândia) de boas vindas.
Neste ritual, alunos (cuja maioria descende de maoris) cantam e dançam conforme
os costumes maoris, tornando assim todos os estrangeiros seus iguais. Foi neste
dia que me tornei de fato uma aluna da Kerikeri High School.
Depois da passagem, fomos
apresentados a algumas regras da escola que me deixaram louca, mesmo elas não
se aplicando ao ano 13, que é o em que estou. Eles basicamente tiram o seu
direito de se vestir como quiser: você não pode em hipótese alguma ir sem o
uniforme para a sala de aula (eles até emprestam algumas peças se você chegar
sem), se virem maquiagem no seu rosto vão te fazer tirá-la, o mesmo se aplica a
esmaltes. Seu cabelo não pode portar cores não naturais (tipo azul, verde,
vermelho) ou um corte não convencional. Os homens que estiverem no ano 13 devem
sempre usar camisa com gola (neste ano não temos que usar o uniforme da escola)
e as mulheres nunca devem usar saias e shorts muito curtos. Não podemos nem
usar regata (devo admitir que esta foi a primeira regra que já quebrei)! Acessórios
devem ser discretos e poucos (se forem invisíveis é melhor ainda!), um brinco
por orelha, uma pulseira, um relógio e um anel (outra regra já quebrada por
mim). Mas é fato que eu aceitei e escolhi estudar nessa escola já sabendo de
algumas dessas regras, mas também é fato que uma unha colorida não mata
ninguém.
Neste dia também tive as mesmas
aulas que minha kiwi-buddy, só para ver como eram. Nós tivemos Maori e Música,
achei ambas bem divertidas e livres.
TERÇA-FEIRA (11/2)
Terça foi o meu primeiro dia de
aula pra valer. Todos os kiwis já tinham começado suas aulas, então basicamente
eu teria que entrar no meio de uma matéria já iniciada em uma classe já
formada. Estava bem ansiosa e nervosa, mas não mais do que no dia em que dei
uma festinha de aniversário. Já devo ter mencionado aqui que nesta escola não
são os professores que mudam de sala e sim os alunos, então em cada matéria há
um diferente grupo de alunos.
Todos os dias todos os alunos
têm a mesma aula, embora em salas diferentes, é a chamada Form Class. Nela, o
professor fala as notícias do dia, as atividades que acontecerão, horários,
isso e aquilo. Dura só alguns minutos.
As minhas primeiras aulas
sempre serão em uma classe que está em uma ponta da escola e, na terça, a minha
segunda aula seria no extremo oposto ao em que eu estava. Então, quando o sinal
tocou, corri loucamente para o outro lado da escola. E é claro que eu me perdi
no caminho.
![]() |
| Mapa da escola. Na primeira aula eu estava na sala ART2, no topo do mapa. Na segunda, eu deveria estar na DRM2, na parte inferior da escola. |
A segunda aula foi Teatro (aqui
é chamado de Drama). Cheguei lá e não
vi nenhum aluno conhecido, mas procurei me manter calma. A professora me deu o
roteiro de uma peça (cujo nome não tenho aqui) gigante, com quase 100 páginas
que eles já começaram a ler. Todos os alunos já tinham uma personagem e não
havia sobrado nenhuma para mim, ou seja, fiquei só ouvindo eles lerem a peça
sem entender nada sobre ela. Os alunos não me trataram mal, mas também não me
trataram bem, foi como se eu não existisse e aquilo me deixou bem desanimada.
A próxima aula foi Artes, de
volta ao outro extremo da escola (Sala Art
4). Gostei bastante do professor (ele tem um cabelo grisalho muito longo),
ele foi muito gentil comigo (gostaria de lembrar seu nome). Nesse momento, ele
pediu para eu fazer uma colagem livre, poderia usar qualquer coisa e fazer
qualquer coisa também. Fiquei atônita: aquela sala era tão grande, tão cheia de
materiais e trabalhos lindos que nem sabia por começar. No fim até que fiquei
bem satisfeita com meu trabalho.
A seguir foi o intervalo, onde
finalmente encontrei meus amigos e pude comer e conversar com eles. Ao que tudo
indicou, eu não fui a única a passar as primeiras aulas sozinha.
Quarta aula: Hospedagem. Nela,
por sorte, encontrei vários conhecidos, e a professora só demonstrou uma
receita que faríamos na próxima aula e nos deu alguns exercícios (que mais
pareciam Física) para fazer (me descobri com saudades de Física).
Depois tive uma aula chamada Tutorial que eu não entendi muito pra
que serve. A meu ver, o professor deu mais notícias e falou algumas coisas
durante pouquíssimos minutos. Em seguida, ele pediu para eu e o Fillipo (aluno
internacional da Itália, que também estava começando as aulas) escrevermos de
modo artístico nossos nomes para pendurar na parede. Eu gostei tanto do meu que
preferi levar para casa (hehehe).
O meu sexto período foi livre!
Sim, esse tipo de coisa existe aqui. Os alunos do ano 13 têm períodos livres,
ou seja, sem aula e podemos fazer o que quisermos nesse tempo. Como o sexto
período é o último eu já podia ir para casa, mas minha amiga Trees, que tem os
mesmos horários livres que eu, me convidou para ir à sua casa. Lá, encontrei
sua host-sister que é daqui mesmo e um amigo dela. E adivinha? Depois do almoço,
nós quatro fomos andar de caiaque! E adivinha? Eu não sabia andar de caiaque! E
adivinha? A Trees, no seu jeito meigo de ser, me colocou sozinha num caiaque,
só com as mínimas explicações e me mandou pro meio do rio (sim, ela tem um rio
na frente de casa). Ela foi em um barco diferente e esperava que eu, só sabendo
o movimento que deveria fazer, ficaria bem e sairia navegando melhor que Amyr
Klink. Só que não foi bem assim. Eu não sabia como fazer o caiaque dar curvas e
nem como segurar os remos direito e nem como remar direito! Meus primeiros
minutos foram um desastre, mas passou um tempo e consegui aprender sozinha como
fazer as manobras. E, após eu falar para os kiwis presentes (a host-sister e o
amigo) que a Belga não me ensinou nada, ela ficou constrangida e me deu algumas
dicas. Eles disseram que para a primeira vez eu estava me saindo extraordinariamente
bem, e eles amaram meu sotaque. Eu não consegui ir muito rápido, mas eu amei!
Mal posso esperar para fazer de novo.
Depois de algumas horas
navegando, nós quatro fomos à piscina da casa e lá ficamos por um bom tempo,
até que a Judith veio me buscar. Sou muito grata à Trees por essa oportunidade,
ela salvou o meu dia (ou pelo menos o tornou muito melhor).
Ontem à noite, vivi um dos meus
momentos depressivos e cheios de saudades, mas consegui me livrar bem deles:
comi alguns dos milhões de chocolates que ganhei de aniversário (alguns belgas
e outros alemães.... muuuuito bom) e assisti um dos filmes que aluguei. Estou
descobrindo que o segredo da felicidade nas primeiras semanas de intercâmbio é
manter a mente ocupada. Se não o faço, tem momentos em que ela insiste em
voltar para o Brasil, fica revivendo memórias e coisas do tipo. Mas se está
ocupada, consegue se manter no presente e ver que ele não é tão ruim.
QUARTA-FEIRA (hoje – 12/02)
Segundo dia de aula e eu não
estava nervosa.
A primeira aula foi Biologia e
a professora já deu um experimento para fazermos a longo prazo: devemos
escolher um animal ou planta, estudar suas reações a alguns eventos e nomeá-las
de um jeito científico que aprendi hoje. Nesta aula, Trees estava presente,
para minha alegria. Gostei muito dessa aula.
A segunda aula foi de inglês e
foi praticamente igual as que tenho no Brasil.
Em seguida tive Teatro, que foi
exatamente a mesma coisa que a aula anterior.
No quinto período tive Arte.
Nessa aula, o professor nos deu uma tábua de uns 10 centímetros para
trabalharmos em cima, dizendo que devíamos praticar desenhar e pintar em uma
escala menor. Desenhei o retrato de um dragão azul, gostei do resultado.
O sexto período foi de
culinária e desta vez pra valer! Assim que chegamos na sala a professora disse
que podíamos começar (a cozinha deles é muito show) e eu, ao contrário de todo
mundo, não sabia onde nada estava e nem os termos usados em inglês para os
ingredientes. De um segundo para o outro, todo mundo estava correndo como se
suas vidas dependessem disso. Eles pegavam instrumentos e ingredientes e faziam
tudo tão rápido que só me deixou mais perdida. Mas logo achei alguém que estava
na mesma situação que eu: Giovanni, um novo internacional da Itália. Nós
dividimos a cozinha e começamos a cozinhar. Ele se embananou um pouco e acabou
não saindo da primeira parte da receita a aula inteira. Eu, por outro lado,
superei o pânico e fui pedir ajuda para a professora. Lentamente fui preparando
minhas comidinhas e fui a última aluna a deixar a sala. Tivemos que limpar
todos os materiais usados e coisas assim. Mas no final, meus docinhos ficaram
ótimos.
O que direi a seguir não vai
agradar a minha linda irmãzinha Alice, mas ela tem que saber que ela é a
primeira e única irmã e sempre será a mais linda, engraçada e meiga de todas
elas. Mas é algo que eu quero muito dizer.
Ao que parece, as irmãs mais
novas são todas iguais, não importa de qual parte do mundo elas vêm!! A Alina,
de 14 anos, é extremamente parecida com a Alice! Ambas estão nessa neurose
exaustiva de “Tenho que emagrecer! Tenho que comer coisas saudáveis! Não posso
comer doces não importa o quanto eu os queira! Tenho que fazer exercício!”,
quando seus corpos são perfeitos. Eu diria que a Alina é mais neurótica que a
Alice. Ambas gostam de me irritar, também.
Mas estou tendo ótimos momentos
com Alina. Ela é muito divertida e tem uns ataques de riso muito engraçados e
por motivo nenhum, tipo a minha cara. Só acho que ela devia parar com todo esse
estresse, ela á magérrima!
OBSERVAÇÃO Alice, você é a
melhor irmã do mundo! É insubstituível, então não tem do que ter ciúmes! EU TE
A-M-O!
Hoje eu e Alina voltamos a pé
da escola. Judith podia nos buscar, mas a Alina queria ir andando para ser
saudável e eu a acompanhei. Quero dizer, acompanhei até a Judith aparecer de
carro e me resgatar. Foram 40 minutos de caminhada na subida e descida embaixo
do Sol! Eu não aguentava mais.
![]() |
| Filomena, a aranha que vive no meu quarto e o segundo ser nesta casa com quem eu posso falar em português. O outro é o Mack. |



Linda Bê! Que delícia ler seu blog. Eu me sinto na torcida do Corinthias, vibrando a cada jogada feliz e me remoendo a cada infelicidade! Bola prá frente Filhote!
ResponderExcluirBê usei técnicas digitais avançadas e descobri que a Filomena é macho...e surdo!
ResponderExcluirRsrrsrs